Você discute moda? Glória kalil explica

 

O Fashion MKT 2008, seminário organizado por Gloria Kalil, discute temas atuais da moda brasileira, como a recente tendência de fusões e compras de marcas nacionais por grupos e fundos de investidores.Mas a quem interessam as palestras e conversas dos dois dias inteiros do evento? O que a terceira edição traz de novo aos participantes? A seguir, Gloria fala sobre a empreitada fashion que, anualmente, movimenta o mundinho da moda brasileira com convidados de peso daqui e de fora do país.

Por que e para quem vale a pena dedicar dois dias inteiros a um seminário de moda como o Fashion Marketing?
Na moda não é só a roupa que muda de cara. A configuração do negócio moda também muda. Há quatro anos a globalização e a China não tinham a importância que têm hoje. Quem trabalha com tendência tem que saber quais são as novidades na área dos negócios também.

O evento vai para a terceira edição. Ao término dos dois primeiros, o que se concluiu sobre o mercado?
O primeiro (“A moda brasileira brilha mas não vende”) foi importante para mostrar ao mercado que a moda é um grande produto de entretenimento: vende mais mídia do que roupa. No segundo (“Os italianos têm design, os franceses têm marca, os americanos têm mercado interno, os chineses têm preço. E nós, temos o quê?”), concluímos que temos, eventualmente, uma certa criatividade e um lifestyle que o mercado enxerga como algo agradável. Como uma continuação dessa discussão, este terceiro seminário tem como tema “Como transformar criatividade em lucro”.

O que é animador no esquema da moda nacional?
O que me anima é que a moda é uma realidade na vida de todo mundo. Mesmo quem não trabalha na área toma conhecimento do assunto, sabe o nome dos estilistas. É uma expressão interessante de identidade pessoal, mas também da identidade do país. O que falta à moda nacional é fortalecimento e construção de marca para ganhar visibilidade dentro e fora do país.

O Brasil tem potencial para produzir um Christian Dior – alguém que invente uma nova moda mundial?
Como capacidade criativa, sim. Mas, muito possivelmente, essa pessoa teria de trabalhar fora do Brasil.

Quais são as suas dicas para quem vai ao evento?
Não se atrasar, em primeiro lugar. Em seguida, dominar o celular – e não deixar que o aparelho lhe domine. Usar sapato baixo, já que o evento dura o dia todo – mas vá bem bonitinho, porque, alô!, o Chic vai fotografar os participantes estilosos. Vale levar cartões de visita, pois pessoas importantes da moda vão circular por lá.

Fale um pouco sobre a escolha dos palestrantes internacionais.
A grande moda agora são as fusões e compras de marcas por investidores – em pouco tempo já vimos histórias que deram certo e até errado. É um assunto que interessa aos grandes e pequenos empresários de moda. Assim, convidei a lendária professora Louise Wilson, da mais importante escola de moda atualmente, a Central Saint Martins de Londres. Ela vai falar como lida com criação e business na preparação dos alunos para o mercado. Ermenegildo Zegna, CEO da marca que é pioneira na expansão para a China (só lá eles têm 500 lojas), vai falar como uma empresa familiar se transformou em um império. Maurizio Borletti, dono de duas das maiores lojas de departamento do mundo (Printemps, na França, e La Rinascenti, na Itália), é um importantíssimo lojista e vai dar a sua versão de executivo sobre o crescimento desse tipo de loja, além de traçar um quadro comparativo entre os tipos de consumidores das duas lojas. Floriane de Saint Pierre, a mais importante headhunter das áreas de moda e luxo (é responsável pela contratação de Alber Elbaz, estilista que ressuscitou a Lanvin), vai dar palestra sobre como funciona essa atividade, que é inédita no Brasil.

E sobre os nacionais?
Gustavo Lins, estilista brasileiro que criou uma marca francesa, já foi indicado por Floriane a uma empresa de pele na Alemanha. Ele vai contar como é construir uma marca num país estrangeiro e mais competitivo. Em seguida, vêm representantes de empresas que inauguraram três tipos diferentes de negócios com compra de marcas recentemente. Os donos da InBrands, um grupo de moda formado pela sociedade entre a Ellus (de Nelson Alvarenga) e um fundo de investidores (Alessandro Horta e Gabriel Felzenszwalb); os donos da Arezzo (Anderson e Alexandre Birman), que venderam 25% da empresa ao fundo Tarpon (de Pedro de Andrade Faria) e, finalmente, Tufi Duek, que fez da Forum (que acaba de ser 100% vendida ao grupo AMC Textil) um case de sucesso na construção de marca. O fato é: as palestras são importante e atualíssimo subsídio a quem trabalha com moda no Brasil hoje.

 

 By Chic.ig.com.br